O sarampo é causado por um vírus da família dos paramixovírus e está entre as doenças mais contagiosas que existem. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 15 outras pessoas, principalmente por gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar ou até falar.

Histórias como a de Mariana que levou seu filho de 8 meses ao pronto-socorro com febre alta e manchas avermelhadas na pele que pareciam pertencer ao passado da medicina brasileira, voltaram a acontecer.

"Os dados e o caso clínico citados neste artigo são fictícios e têm fim meramente ilustrativo, servindo para facilitar a compreensão do tema abordado."

O sarampo nunca foi embora de verdade

O vírus sobrevive no ar e em superfícies por até duas horas, o que facilita a transmissão em ambientes fechados como escolas, transporte público e salas de espera.

O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas perdeu esse status em 2019, depois que o vírus voltou a circular de forma sustentada no país. Em novembro de 2024, o certificado foi recuperado. Ainda assim, casos isolados continuaram aparecendo, principalmente ligados a viagens internacionais e à queda na cobertura vacinal em algumas regiões.

Os casos que estão preocupando agora

Neste ano, o estado de São Paulo já confirmou mais de uma dezena de casos, concentrados na capital, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo.

Entre os pacientes estão:

  • Bebês com menos de 1 ano
  • Adultos entre 20 e 50 anos

Essas faixas etárias dependem diretamente de estarem com a vacinação em dia, já que os bebês mais novos ainda não completaram o esquema vacinal e muitos adultos nunca tomaram as duas doses recomendadas.

Diante disso, a partir de 3 de agosto e até 1º de setembro, a vacinação contra o sarampo está sendo oferecida para toda a população de 6 meses a 59 anos nesses três municípios, independentemente de já terem sido vacinadas antes. Nos demais municípios do país, a recomendação segue o calendário nacional de vacinação, com atualização da caderneta sempre que houver dose em atraso.

Como o sarampo se manifesta

Os primeiros sinais costumam surgir entre 7 e 14 dias após o contato com o vírus, e por isso muitas vezes passam despercebidos como um resfriado comum no início. O quadro típico segue mais ou menos esta ordem:

  • Febre alta, que vai aumentando nos primeiros dias
  • Tosse seca, coriza e conjuntivite (olhos vermelhos e sensíveis à luz)
  • Manchas brancas dentro da boca, próximas aos dentes molares, conhecidas como manchas de Koplik — consideradas um sinal bastante característico da doença
  • Manchas avermelhadas na pele, que aparecem alguns dias depois, começam no rosto e atrás das orelhas, e vão descendo para o tronco e os membros

O período de transmissão começa antes mesmo do aparecimento das manchas na pele, o que torna o controle de surtos mais difícil.

Qual é o prognóstico

Na maioria das crianças e adultos saudáveis, o sarampo evolui para recuperação completa em poucas semanas. Mas essa não é uma doença sem riscos: o sarampo pode ser grave e, em alguns casos, fatal.

O risco é maior para:

  • Crianças menores de 5 anos
  • Gestantes
  • Pessoas imunossuprimidas
  • Indivíduos com desnutrição

É justamente por esse potencial de gravidade que a vigilância em torno de qualquer aumento de casos é levada tão a sério pelas autoridades de saúde.

As complicações possíveis

Entre as complicações mais associadas ao sarampo estão:

  • Otite média (infecção de ouvido)
  • Pneumonia, uma das principais causas de morte associada à doença
  • Diarreia e desidratação
  • Encefalite (inflamação do cérebro), que pode deixar sequelas neurológicas
  • Panencefalite esclerosante subaguda, uma complicação neurológica rara, grave e de aparecimento tardio, que pode surgir anos depois da infecção inicial
  • Em pessoas desnutridas, risco aumentado de cegueira

Por que a vacina segue sendo a resposta

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no SUS e faz parte do calendário nacional de vacinação.

Esquema de vacinação recomendado

  • Primeira dose: aos 12 meses de idade
  • Reforço: aos 15 meses (nessa idade, muitas vezes já combinado com a proteção contra varicela, na vacina tetra viral)

Em cidades com circulação confirmada do vírus, o Ministério da Saúde também recomenda a chamada dose zero para bebês entre 6 e 11 meses, como proteção extra até que cheguem à idade da dose de rotina.

Para adolescentes e adultos

Adolescentes e adultos que não têm comprovação de duas doses da vacina também devem procurar uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal.

O retorno de casos que não existiam há anos no Brasil está diretamente relacionado à queda na cobertura vacinal em algumas regiões, e reverter isso depende da vacinação de cada pessoa, não apenas das crianças.

Se você não tem certeza sobre sua própria caderneta de vacinação ou a dos seus filhos, vale a pena verificar antes de qualquer viagem ou exposição a locais com maior circulação de pessoas.


Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional de saúde para avaliação individualizada, orientação vacinal e conduta diante de sintomas suspeitos.

Dra. Rebeca Soares Andrade CRM - GO 39335